Amar o caos
A hora do caos parece interminável, mas passa.
Na primeira semana após o nascimento da minha primeira filha, minha esposa e eu nos transformamos em monstros noturnos: olheiras, magreza, sem dormir e sem comer direito. Talvez os vampiros tenham sido inspirados em como os pais ficam nos primeiros dias. Ter filhos, que todos diziam que era fantástico, na verdade parecia apenas trabalhoso. Trocávamos olhares de exaustão e pensávamos: “onde foi que a gente se meteu?”. A vida como conhecíamos tinha acabado.
Os amigos sem filhos perguntavam como estávamos, e dizíamos "tudo ótimo”, mas a verdade era que estávamos no limite: noites sem dormir, roupas manchadas, cheiros indefiníveis, uma geografia emocional completamente redesenhada. Enquanto minha esposa amamentava eu parecia um assistente de produção, levando panos, compressas, almofadas, um roadie silencioso organizando o caos que nossa vida tinha se tornado.
Minha mente estava sempre em algum outro lugar, se precisávamos comprar fraldas, se o leite estava na temperatura certa, se o bebê estava respirando. Estava. Se estava crescendo bem. Estava. Se o pediatra iria dizer que estávamos fazendo um bom trabalho. Estávamos. O elogio de um pediatra é uma recompensa profundamente tocante.
Lembro que nos primeiros dias estávamos acabados, perdidos, exaustos, com raiva de quem tinha nos dito que daria tudo certo. Mas deu. Com raiva de quem disse que seria maravilhoso. E foi. Com raiva de quem disse que iria passar muito rápido. E passou.
A hora do caos parece interminável, mas passa. Vai passar, meu amigo. Você vai conseguir. A vida como você conhecia acabou. E essa é uma notícia maravilhosa.
A vida é incrível.
Desejo a você muito mais do que sorte.
Marcos Piangers


Demora um pouco mas passa. Eu demorei a cair a ficha da mudança de vida, estou compartilhando sobre isso no Substack, se interessar a alguém nesse desafiador e maravilhoso período! https://open.substack.com/pub/paternidadeantifragil/p/o-dia-em-que-a-ficha-caiu?utm_source=share&utm_medium=android&r=1f07t2
Marcos, gosto muito dos seus textos! Eles sempre chegam no momento certo do meu dia, como se fossem um presente. Esse, em especial, é simplesmente sensacional! E não se aplica apenas à paternidade, mas à vida como um todo.
Tem dias em que vemos nosso salário indo embora com as contas, nossa paciência se esgotando no trânsito e o caos tomando conta de diferentes aspectos da nossa vida. Mas aí percebemos que o caos da paternidade é diferente… É um caos que amamos! Não dormir, ter olheiras, lidar com a correria — tudo isso é passageiro. Mas os filhos são para sempre.
Amo nosso caos aqui em casa! Nossa rotina é intensa, cansativa, mas sei que um dia sentiremos falta disso. Obrigado por traduzir em palavras o que tantos pais sentem!
Bruno torquato